domingo, 31 de julho de 2011

Provedores de internet investem em TV a cabo

Após abertura do mercado autorizada por regulamentação da Anatel, empresários começaram a substituir a banda larga via rádio por redes de fibra óptica


SÃO PAULO - A abertura do mercado de TV a cabo, autorizada no ano passado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e regulamentada em junho deste ano, já movimenta pequenos provedores de internet nas cidades do interior do País. Com a expectativa de que novas outorgas para a prestação do serviço serão concedidas até o fim do ano, esses empresários começaram a substituir a banda larga via rádio por redes de fibra óptica, que têm capacidade de fornecer internet, telefonia e serviços pagos de TV.



Neste ano, pela primeira vez, as associações que reúnem os pequenos provedores participarão do evento anual da Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA), que será realizado entre os dias 9 e 11 de agosto em São Paulo. Os empresários dividirão o estande com a Telebrás. "Esse é o momento claro de se aproximar desses empreendedores, porque eles terão papel muito importante nos próximos anos", diz Alexandre Annenberg, presidente da entidade.
Com as mudanças feitas pela Anatel, os provedores podem conseguir uma licença pelo valor fixo de R$ 9 mil. Antes, as autorizações eram concedidas apenas por meio de um leilão - o último ocorreu há uma década.
Dos 3 mil provedores de internet espalhados pelo País, 2,5 mil têm licença para oferecer serviços de comunicação multimídia. Alguns deles, já operam em telefonia, mas querem transmitir também conteúdo para TV. "O mercado depende de pacotes", diz Marcelo Siena, presidente do Conselho Nacional das Entidades de Provedores de Serviços de Internet (Conapsi). "Só com internet, o provedor fica em desvantagem competitiva." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Instituições financeiras vão assumir perdas no acordo de ajuda à Grécia Bancos, seguradoras e fundos de investimento vão bancar a redução de 37 bilhões na dívida; decisão foi uma derrota para o BCE

O grande quebra-cabeças da União Europeia e o pesadelo dos mercados financeiros foram, ao que parece, dirimidos. Por decisão "voluntária", bancos, seguradoras e fundos de investimentos atenderam ao chamado dos líderes políticos da zona do euro e vão aceitar perder dinheiro na reorganização das finanças da Grécia.

Segundo cálculos do Instituto de Finanças Internacionais (IIF), os credores privados vão cortar ? 37 bilhões em dívidas e juros programados até 2014 e aceitar vender abaixo do valor até ? 12 bilhões em títulos soberanos sem seus poderes.
A equação, ainda de acordo com o IIF, pode elevar suas participações a ? 135 bilhões no horizonte de 2020. Ao todo, 30 instituições de todo o mundo, 23 da UE, três da Suíça, uma do Canadá, uma do Kuwait, uma da Coreia do Sul e uma do Peru - o Banco de Crédito do Peru -, participarão dos cortes da dívida.
Depois de intensas negociações sobre reestruturação, rolagem ou recompra dos títulos da dívida grega, a UE e as instituições financeiras acabaram fechando um acordo que inclui as três medidas. Cada investidor escolherá a que lhe parecer mais adequada. O plano tem tudo, menos a criação de um imposto sobre o sistema bancário, que chegou a ser cogitado, porém sempre em segundo plano.
O primeiro-ministro da Grécia, Georges Papandreou, mostrou-se satisfeito com as medidas. Na prática, a dívida grega - hoje de ? 350 bilhões - não apenas vai parar de aumentar, mas deve cair em ? 26 bilhões até 2014, o equivalente a 12% do PIB do país. "Isso permitirá à Grécia recuperar seu acesso aos mercados mais cedo que o previsto, tomando nós mesmos os empréstimos, o que hoje é impossível", disse Papandreou.
Derrota do BCE. O arsenal de medidas representa uma perda nas trincheiras do Banco Central Europeu (BCE), em especial de seu presidente, Jean-Claude Trichet, que será substituído em setembro pelo italiano Mario Draghi. Até ontem, o BCE insistia que a participação de investidores privados, combinada a um corte das dívidas, seria interpretada pelos mercados financeiros como um "evento de crédito", ou seja, um calote. Há três dias, Trichet chegou a afirmar: "Se um país cai em default, nós não poderemos mais aceitar seus bônus como garantias colaterais".
Ontem, após a cúpula, Trichet arrancou dos líderes políticas novas garantias, mudou de discurso e afirmou que o plano anunciado "provavelmente não conduzirá a um evento de crédito". Segundo Trichet, o default só ocorre quando os contratos de seguro contra o risco de falência - os Credit Default Swaps (CDS) - são acionados, o que, ele estima, não deve acontecer. "Caso necessário, teremos o compromisso dos chefes de Estado de recapitalizar os bancos gregos e teremos ? 35 bilhões para operações de refinanciamento", argumentou.
Resta agora aguardar a reação das agências de rating. Consultadas no fim da tarde de ontem pelo Estado, Standard & Poor"s, Moody"s e Fitch não aceitaram comentar as linhas gerais do acordo da UE, que, naquela altura, já eram conhecidas.
A Fitch, porém, foi mais transparente e afirmou que as hipóteses que seriam consideradas em um default seletivo já haviam sido indicadas. Todas as três agências informaram à reportagem que publicarão seus pareceres sobre o plano de socorro da Grécia anunciado pela UE "nos próximos dias". Até lá, permanecerá o suspense sobre se o pacote corresponde ou não a um default.